Arquitetura Organica

02 outubro 2005



sociedade panteísta
ayahuasca








premissas









1. “Aqui não há dogmas, apenas evidências, subjetivas e objetivas; não se cultua nenhum guru, mestre ou xamã além do líder espiritual que cada um pode encontrar em si mesmo. Não existe, interposto entre os limites dos sujeitos em comunicação (os indivíduos) e entre esses e os objetos (o mundo) nenhuma entidade sobrenatural, oculta ou pressuposta a ditar regras, normas e prejuízos. A comunicação é limpa, clara e natural: o consenso fundamental, a intenção comum, é de buscar a expressão de mais virtudes para se aproximar sempre mais da criatividade, sabedoria e serenidade. Todos os participantes são recebidos como iguais - expressões do Universo - para compartilhar momentos, visões e conhecimentos: construir uma sabedoria conjunta à luz da Ayahuasca."

2. O Universo é o gerador da Vida e da Consciência.

3. O Universo é Autocriador. Ele se auto-organiza espontaneamente pelas interações fundamentais _fortes, fracas, eletromagnéticas, gravitacionais_ que são as operações básicas, da substância, da álgebra essencial _ a matéria-energia. Do fluxo constante matéria/energia, da interação constante de cada partícula, elemento e molécula, espontaneamente surgem padrões e organizações: nebulosas e galáxias, estrelas e sistemas solares, planetas, atmosferas, continentes, mares, florestas, plantas e todos os seres. Dessa dinâmica interativa e conjunta, todas as coisas se formam e se auto-desenham. Das propriedades fundamentais da matéria/energia, do conjunto interativo e progressivo das coisas no espaço tempo, resulta a geração sempre mutante de toda a ordem e beleza universal.

4. À medida que o ser humano cresce, vai, gradativamente, esquecendo que faz parte da totalidade universal. Passa a experimentar a si próprio, em pensamentos e sentimentos, como separado do resto, focado em sua vida mental, mergulhado em símbolos, centrado na esfera dos conceitos e de suas limitações.

Junto com a linguagem, adquire a habilidade de classificar as coisas em grupos, categorias e conjuntos, deixando, às vezes, de ver o mistério da sua unicidade, a surpresa, o inesperado, o imprevisto, o extraordinário da sua simples presença, da sua singularidade, da sua existência, da sua realeza.

Desenvolve como se fosse uma membrana, um véu, um filtro gramatical, entre o mundo e a sua existência. Entra num tipo de limitação, que acaba por restringir e condicionar a sua capacidade de se entusiasmar, de se encantar. A vida, a existência como um todo, parece perder algo do seu brilho, do seu encanto, tornando-se mais comum, familiar e trivial; ilusão de sua consciência, engendrada por automatismos e dissociações.

5. O que fazer? Buscarmos a Unicidade com o Universo gerador da Vida e da Consciência e a conexão com a Criatividade (Poder Criador). Cultivarmos uma relação com a Natureza, com o Sol, a Lua, as montanhas, as paisagens mais belas e inspiradoras, os céus estrelados, o arco-íris, os pássaros, as flores, toda a beleza universal. Em vez de admirarmos a natureza como uma produção, a obra magnífica de um deus criador, reverenciamos diretamente a Natureza pela sua força e poder, pela sua beleza, os seus mistérios e infinita grandeza.

Considerando esse mundo como um espaço sublime, do qual fazemos legitimamente parte, passamos a integrar a família universal sem nenhuma ressalva. O planeta Terra passa a ser a nossa morada real e assim sendo e como conseqüência direta, tendemos a assumir um profundo interesse ecológico - zelar pela conservação e expressão mais bela da natureza torna-se uma prioridade. É um caminho místico em busca da realização da unidade. Em busca de compreender que não só as coisas são interconectadas, mas que são tecidas da mesma substância, que formam uma totalidade, uma unicidade. O objetivo é simplesmente tentar entender o mais possível desse estado de coisa, e tentar através da meditação e da união mística experimentar essa união do ponto de vista qualitativo.
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